quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Jazz!
Era jazz. O som entrava pelos meus ouvidos fazendo-me jurar que estava levitando. Sentia a alma filtrar, rejuvenescer. Dentre os meus devaneios, as lembranças dele se sobressaíram. Abri os olhos e pude ver a silhueta conhecida e como uma explosão me movi parar correr até onde estava, porém a continuidade da silhueta me fez petrificar. Uma de suas mãos estava entrelaçada com outra mão, a de uma garota conhecida. Meus pés se fixaram no chão, meus ouvidos se fecharam para o jazz. Foi exatamente nesse momento que eu me dei conta de que estava apaixonada todo aquele tempo, e nesse mesmo momento resgatei a certeza que morava no fundo do meu peito: de que mais uma vez eu havia errado. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Minha carência costuma conduzir meus pensamentos até você
fingindo que te conheço e que te quero, me sinto confortável
à espera do seu colo (ansiosamente)
assim, amo-te por consequência, suficientemente.


Desejar o que mal conhece, correndo riscos.



"Chega a fingir que é dor a dor que realmente sente."

Sobre demônios e alimentação

36, 40, 62. Às vezes o 350 me perturba também.
A comida faz o mesmo caminho duas vezes, muitas vezes em episódios seguidos ou simplesmente não faz caminho algum. Quando os números estão martelando na minha cabeça, a alimentação passa definitivamente a não existir e quando estão no meio de tantas outras coisas, percorrem o caminho que deveria ser natural, duas vezes. Me pergunto como transferi meus demônios para o café-da-manhã, almoço e jantar. Na verdade a resposta eu tenho bem clara: o que era abstrato, tentei tratar como algo concreto, que pudesse ser visto, quase que apalpado.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quando penso em vocês, por mais que tenha esquecido-me de alguns nomes, meu coração fica do tamanho de suas canelas. Algumas eu mal conversei, outras se tornaram grandes amigas. Poucas melhoraram, algumas com certeza se foram. 
Lembro-me do meu primeiro dia. Vi os ossos de Alexandra na cabine da recepção. No horário de almoço, vi a moça loira de óculos escuros e lenço, provavelmente para esconder as olheiras e a queda dos cabelos, fazendo força para mastigar um sanduíche natural. Ela é uma das garotas de que não me lembro o nome. Abandonou o tratamento, foi internada várias vezes e na última ameaça simplesmente não voltou. Quem já pisou naquela internação sabe o porquê de não voltar.
Muitas companheiras, várias desistências ao longo dos anos. Uma menina alegou que Deus havia lhe concebido a cura. Semanas antes ela tomou uma cartela de antidepressivos em um só dia.
Meu desejo de abraçá-las se tornará realidade? Acreditar que essas meninas estão bem é ingenuidade, mas uma ponta de esperança sempre existirá aqui dentro. O ódio que sinto por tudo o que passamos transforma-se aos poucos em ódio de classe. E é lutando cotidianamente contra o machismo, contra as opressões 
que torno possível o desejo de abraçar todas essas mulheres!




Explosion in the sky

Infla.
Gás hélio, flutua. Infla, desinfla, efeito sanfona. 

Comprime, torce, infla.
E fica tão grande que parece não caber dentro de seu cérebro.
Grito: Carne, sangue, ossos, órgãos se misturando à paisagem.
Depois, a reintegração e, por fim, a calma.