quarta-feira, 15 de junho de 2011
Quando penso em vocês, por mais que tenha esquecido-me de alguns nomes, meu coração fica do tamanho de suas canelas. Algumas eu mal conversei, outras se tornaram grandes amigas. Poucas melhoraram, algumas com certeza se foram.
Lembro-me do meu primeiro dia. Vi os ossos de Alexandra na cabine da recepção. No horário de almoço, vi a moça loira de óculos escuros e lenço, provavelmente para esconder as olheiras e a queda dos cabelos, fazendo força para mastigar um sanduíche natural. Ela é uma das garotas de que não me lembro o nome. Abandonou o tratamento, foi internada várias vezes e na última ameaça simplesmente não voltou. Quem já pisou naquela internação sabe o porquê de não voltar.
Muitas companheiras, várias desistências ao longo dos anos. Uma menina alegou que Deus havia lhe concebido a cura. Semanas antes ela tomou uma cartela de antidepressivos em um só dia.
Meu desejo de abraçá-las se tornará realidade? Acreditar que essas meninas estão bem é ingenuidade, mas uma ponta de esperança sempre existirá aqui dentro. O ódio que sinto por tudo o que passamos transforma-se aos poucos em ódio de classe. E é lutando cotidianamente contra o machismo, contra as opressões
que torno possível o desejo de abraçar todas essas mulheres!

